A TERRA JÁ FOI UM INFERNO, MAS NÃO DUROU MUITO!

A origem da Terra é estimada em cerca de 4,5 bilhões de anos. Durante o início do nosso planeta havia um mar de lava e as temperaturas eram elevadíssimas. Esse período inicial da Terra é chamado de Hadeano (que significa Deus das profundezas, inferno). Por muito tempo, a ciência admitiu que tal condição durou meio bilhão de ano. Portanto, o inferno terrestre teria se estendido até 4 bilhões de anos atrás.

O FRAGMENTO QUE ENCOLHEU O PERÍODO INFERNAL

A crosta terrestre teria surgido na era Arqueana, há cerca de 4 bilhões de anos, logo após o fim da era Hadeana. Desde início do século, estudos com o mineral zircão vêm sugerindo que a crosta poderia ter surgido antes. Um estudo realizado em 2014 com um pequeno fragmento de zircão encontrado em Jack Hill, na Austrália, revelou de modo seguro que ele possuía 4,4 bilhões de anos. A existência desse fragmento indica que a crosta terrestre teria se formado muito antes. Tal fragmento construiu um novo cenário da história de nosso planeta. Hoje devemos admitir que o inferno terrestre não durou meio bilhão de ano, mas apenas 100 milhões de anos.

O ESTUDO

O zircão apresenta traços de urânio. Sabe-se que o urânio é instável e se transforma em chumbo em um período conhecido de bilhões de anos. Por meio de uma técnica extremamente precisa, utilizando uma sonda de tomografia atômica, foi determinada a quantidade de chumbo em pequenas regiões do fragmento de zircão. Com isso foi calculado a idade do fragmento de zircão de Jack Hills, o pedaço de rocha mais antigo do planeta!A antecipação do surgimento da crosta terrestre levou alguns cientistas especularem que a origem da vida, datada em 3,6 bilhões de anos, poder ter surgido antes. A cada passo da ciência vamos comprendendo mais a história da Terra e a evolução da vida. Novos fatos surgirão e talvez mudemos o cenário vigente no futuro. Mas isso se, antes, o homem não transformar a Terra em um novo inferno!

REFERÊNCIAS:

https://dx.doi.org/10.1038/ngeo2075

TODOS OS CORONAVÍRUS DO MUNDO CABERIAM EM UMA LATA DE REFRIGERANTE!

Para calcularmos o volume de coronavírus existentes no mundo precisamos inicialmente responder três questões:

1) quantos coronavírus há em cada pessoa infectada?

2) quantas pessoas estão infectadas?

3) Qual o volume de cada coronavírus?

Quantos coronavírus há em cada pessoa infectada?

Um estudo estimou que a quantidade de coronavírus (SARS-CoV-2) no pico de carga viral varia de 1 bilhão a 100 bilhões de partículas de vírus. 

No entanto, nem todos os infectados estão no pico de carga viral. Assim, a quantidade de coronavírus de cada pessoa atualmente infectada depende de há quanto tempo foram contaminadas. Acredita-se que as cargas virais aumentem e cheguem ao pico cerca de seis dias após a infecção e depois diminuam continuamente.

Assim, as pessoas infectadas há seis dias terão a carga viral máxima. Entre as pessoas que estão contaminadas no momento, aquelas que foram infectadas há cinco ou sete dias contribuirão um pouco menos para a contagem total. Aquelas infectadas há quatro ou oito dias contribuirão um pouco menos ainda, e assim por diante. 

Quantas pessoas estão infectadas?

Segundo o site Our World in Data, meio milhão de pessoas testam positivo para COVID diariamente. No entanto, muitas pessoas não são incluídas nesta contagem porque são assintomáticas ou por não terem sido testadas. Por meio de modelos estatísticos e epidemiológicos, o Institute for Health Metrics and Evaluations estima que o número real de pessoas infectadas a cada dia é de cerca de 3 milhões.

Uma vez que sabemos aproximadamente como a carga viral muda ao longo do tempo, é possível termos uma estimativa da carga viral total da população mundial. Podemos trabalhar com um valor no meio (média geométrica) do intervalo de 1 a 100 bilhões, estimado para a carga viral máxima por pessoa, que é de 10 bilhões. Se somarmos todas as contribuições para a carga viral de cada uma das 3 milhões de pessoas que foram infectadas em cada um dos dias anteriores (assumindo que essa taxa de 3 milhões de infectados seja aproximadamente constante), descobrimos que há cerca de duzentos quatrilhões (2×10¹⁷ ou duzentos milhões de bilhões) de partículas de vírus no mundo a qualquer momento.

Qual o volume de cada coronavírus?

A estimativa do diâmetro de um coronavírus varia de 80 a 120 nanômetros. Um nanômetro é um bilionésimo de um metro. Para colocar em perspectiva, o raio do coronavírus é cerca de 1.000 vezes mais fino do que um fio de cabelo humano. Podemos assumir o valor médio para o diâmetro de 100 nanômetros para o cálculo subsequente.

Sendo o coronavírus aproximadamente esférico, para calcular o seu volume devemos usar a fórmula para o volume de uma esfera que é:

V = 4 π r³ / 3

Sendo o raio do coronavírus de 50 nanômetros (metade do diâmetro), temos:

V = 4 π 50³ / 3 =  523.000 nanômetros.

Multiplicando este pequeno volume (523.000 nanômetros) pelo número de partículas que existem no mundo (2×10¹⁷) e convertendo em unidades significativas, isso resulta em um volume total de cerca de 120 ml.

No entanto, se  quiséssemos agrupar todos esses coronavírus juntos em um só lugar, precisaríamos lembrar que as esferas não se compactam perfeitamente, quando empilhadas.

Os espaços vazios, entre as esferas de laranja, ocupam aproximadamente 26% do volume total. Isso faz com que o volume total de coronavírus agrupados seja de 160 ml, que corresponde a menos da metade do volume de uma lata de refrigerante.

Mesmo se considerássemos os maiores diâmetros de coronavírus, 120 nanômetros, e levando em consideração o tamanho dos espinhos, ainda assim todos os coronavírus do mundo  não encheriam uma lata de refrigerante.

Todos esses cálculos foram realizados pelo biólogo matemático Christian Yate da Universidade de Bath, do Reino Unido, no artigo “All the coronavirus in the world could fit inside a Coke can, with plenty of room to spare”, no “The Conversation” 

https://theconversation.com/all-the-coronavirus-in-the-world-could-fit-inside-a-coke-can-with-plenty-of-room-to-spare-154226

REFERÊNCIAS:

Ron Sender, Yinon M. Bar-On, Avi Flamholz, Shmuel Gleizer, Biana Bernsthein, Rob Phillips, Ron Milo. The total number and mass of SARS-CoV-2 virions in an infected person. medRxiv 2020.11.16.20232009; doi: https://doi.org/10.1101/2020.11.16.20232009 

Our World Data https://ourworldindata.org/Health Metrics and Evaluations http://www.healthdata.org/

O VENTO QUE VEM DO SOL

O Sol emite um fluxo constante de partículas energéticas para todo o espaço ao seu redor. É o chamado vento solar! São toneladas de elétrons, prótons e partículas alfa que atingem até 750 quilômetros por segundo. Essa chuva de partículas pode causar danos em aparelhos eletrônicos e em nosso material genético e de outros organismos. Entretanto, a Terra é amplamente protegida do vento solar por seu campo magnético, que desvia a maioria das partículas.O vento solar é que determina a direção e o sentido da cauda dos cometas. O material volatilizado do cometa é “soprado” pelo vento solar. Desse modo, a sua cauda está sempre no sentido contrário do Sol.Um fenômeno causado pelos ventos solares são as auroras polares. As partículas que penetram no campo magnético terrestre são levadas para as regiões dos pólos. Essas partículas carregadas e com alta velocidade ionizam os gases atmosféricos, produzindo um belo espetáculo de luzes coloridas.

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NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (09/04/2021)

André Eterovic (CCNH-UFABC), andre.eterovic@ufabc.edu.br

Introdução

O conhecimento do estado da pandemia de COVID-19 em diferentes escalas espaciais e temporais pode subsidiar a tomada de decisões referentes a tentativas de minimizar seus efeitos adversos. A parametrização de modelos que permitem a estimativa de cenários futuros para esse manejo depende de dados robustos, nem sempre disponíveis. Registros do número de casos confirmados e mortes em plataformas de dados públicos permitem a comparação de suas tendências entre países, estados e cidades brasileiras. A abordagem visual desses padrões é suficiente para uma avaliação preliminar da questão, requerendo uma fração mínima da capacidade técnica envolvida na elaboração de modelos epidemiológicos complexos. O termo “ingênuo” do título refere-se a uma abordagem informal, mas não desprovida de crédito.

Métodos

Dados semanais referentes a países foram obtidos na plataforma “European Centre for Disease Prevention and Control” (ECDC) [1]. Dados diários referentes a estados e cidades brasileiras foram obtidos na plataforma Brasil.io [2]. Foram selecionados os top-40 países, os top-20 estados e as top-80 cidades brasileiras com o maior número de mortes acumuladas até o dia da análise. As variáveis de referência empregadas foram as porcentagens do número de mortes e de casos confirmados em relação aos respectivos totais acumulados até o dia da análise. Foram usadas duas escalas temporais: toda a epidemia (para os países, desde o dia 01/01/20; para os estados e cidades brasileiras, desde o dia 25/02/20 – registro do primeiro caso) e as últimas quatro semanas (28 dias). Para as porcentagens de mortes nas últimas quatro semanas, foram ajustadas curvas de regressão linear como referência para a tendência.

Resultados

Quando avaliadas na maior janela temporal (lado esquerdo da figura modelo), localidades em que a epidemia teve início previamente apresentam curvas sigmoidais, com tendência a um platô de valores acumulados (a). Uma nova sigmoidal iniciando-se a partir desse platô indica uma nova onda da doença. Localidades em que a taxa de infecção ainda é alta apresentam curvas exponenciais, sem tendência evidente à estabilização (b, c). Em janelas temporais menores, a tendência linear é satisfatória para avaliar o aumento de casos confirmados e de mortes nesses intervalos, possibilitando a comparação entre localidades (lado direito da figura modelo). Quanto maior sua inclinação, maior é a taxa de incremento de casos e de óbitos (na sequência, localidades a, b e c).

As localidades foram classificadas em três categorias referentes a inclinação da curva de tendência linear para as últimas quatro semanas:

Para visualizar os boletins em configurações anteriores, acesse https://wp.me/pbxlWR-ji.

Referências

[1]  https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/data-national-14-day-notification-rate-covid-19

[2] https://brasil.io/dataset/covid19/

NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (02/04/2021)

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 08/04/21).

Países: últimas 4 semanas (até 08/04/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 08/04/21).

Estados: últimos 28 dias (até 08/04/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 08/04/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 08/04/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 08/04/21).

Cidades: últimos 28 dias (até 08/04/21). Continuação

NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (26/03/2021)

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 01/04/21).

Países: últimas 4 semanas (até 01/04/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 01/04/21).

Estados: últimos 28 dias (até 01/04/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 01/04/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 01/04/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 01/04/21).

Cidades: últimos 28 dias (até 01/04/21). Continuação

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 25/03/21).

Países: últimas 4 semanas (até 25/03/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 25/03/21).

Estados: últimos 28 dias (até 25/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 25/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 25/03/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 25/03/21).

Cidades: últimos 28 dias (até 25/03/21). Continuação

NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (19/03/2021)

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 18/03/21).

Países: últimas 4 semanas (até 18/03/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 18/03/21).

Estados: últimos 28 dias (até 18/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 18/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 18/03/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 18/03/21).

NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (12/03/2021)

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 11/03/21).

Países: últimas 4 semanas (até 11/03/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 11/03/21).

Estados: últimos 28 dias (até 11/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 11/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 11/03/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 11/03/21).

Cidades: últimos 28 dias (até 11/03/21). Continuação

NOVO BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (05/03/2021)

Países: toda a epidemia (de 01/01/20 a 04/03/21).

Países: últimas 4 semanas (até 04/03/21).

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 04/03/21).

Estados: últimos 28 dias (até 04/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 04/03/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 04/03/21). Continuação

Cidades: últimos 28 dias (até 04/03/21).

Cidades: últimos 28 dias (até 04/03/21). Continuação

BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (26/02/2021)

André Eterovic (CCNH-UFABC), andre.eterovic@ufabc.edu.br

Introdução

O conhecimento do estado da pandemia de COVID-19 em diferentes escalas espaciais e temporais pode subsidiar a tomada de decisões referentes a tentativas de minimizar seus efeitos adversos. A parametrização de modelos que permitem a estimativa de cenários futuros para esse manejo depende de dados robustos, nem sempre disponíveis. Registros do número de casos confirmados e mortes em plataformas de dados públicos permitem a comparação de suas tendências entre países, estados e cidades brasileiras. A abordagem visual desses padrões é suficiente para uma avaliação preliminar da questão, requerendo uma fração mínima da capacidade técnica envolvida na elaboração de modelos epidemiológicos complexos. O termo “ingênuo” do título refere-se a uma abordagem informal, mas não desprovida de crédito.

Métodos

Dados diários referentes a países* foram obtidos na plataforma “European Centre for Disease Prevention and Control” (ECDC) [1]. Dados diários referentes a estados e cidades brasileiras foram obtidos na plataforma Brasil.io [2]. Foram selecionados os top-20 países*, os top-20 estados e as top-40 cidades brasileiras com o maior número de mortes acumuladas até o dia da análise. As variáveis de referência empregadas foram as porcentagens do número de mortes e de casos confirmados em relação aos respectivos totais acumulados até o dia da análise. Foram usadas quatro escalas temporais: toda a epidemia (para os países*, desde o dia 01/01/20; para os estados e cidades brasileiras, desde o dia 25/02/20 – registro do primeiro caso), o último mês, a última quinzena e a última semana. Para as porcentagens de mortes na última quinzena e na última semana, foram ajustadas curvas de regressão linear como referência para a tendência.

Resultados

Quando avaliadas na maior janela temporal (lado esquerdo da figura-modelo), localidades em que a epidemia teve início previamente apresentam curvas sigmoidais, com tendência a um platô de valores acumulados (a). Localidades em que a taxa de infecção ainda é alta apresentam curvas exponenciais, sem tendência evidente à estabilização (b, c). Nas janelas temporais menores, a tendência linear é satisfatória para avaliar o aumento de casos confirmados e de mortes nesses intervalos, possibilitando a comparação entre localidades (lado direito da figura-modelo). Quanto maior sua inclinação, maior é a taxa de incremento de casos e de óbitos (na sequência, localidades a, b e c).

As localidades foram classificadas em três categorias referentes a inclinação da curva de tendência linear para os últimos quinze dias:

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é apresentaccca7acc83o-sem-ticc81tulo-11.jpg

*O arquivo do ECDC foi atualizado diariamente até 14 de dezembro de 2020. Após essa data, os dados passaram a ser agregados semanalmente e, posteriormente, em taxas quinzenais. Os gráficos dos países foram, então, suprimidos deste boletim a partir de 19/02/2021. Para visualizar os boletins anteriores, que incluem os países, acesse https://wp.me/pbxlWR-ji

Referências

[1]  https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/

[2] https://brasil.io/dataset/covid19/

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 25/02/21).

Estados: últimos 30 dias (até 25/02/21).

Estados: últimos quinze dias (até 25/02/21).

Estados: últimos sete dias (até 25/02/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 25/02/21).

Cidades: últimos 30 dias (até 25/02/21).

Cidades: últimos 15 dias (até 25/02/21).

Cidades: últimos 7 dias (até 25/02/21).

BOLETIM INGÊNUO – COVID-19 (19/02/2021)

Estados: toda a epidemia (de 25/2/20 a 18/02/21).

Estados: últimos 30 dias (até 18/02/21).

Estados: últimos quinze dias (até 18/02/21).

Estados: últimos sete dias (até 18/02/21).

Cidades: toda a epidemia (de 25/2/20 a 18/02/21).

Cidades: últimos 30 dias (até 18/02/21).

Cidades: últimos 15 dias (até 18/02/21).

Cidades: últimos 7 dias (até 18/02/21).

OS ATRAENTES NECTÁRIOS: FORMIGAS E ARANHAS AJUDAM AS PLANTAS A PRODUZIREM MAIS FRUTOS?

O néctar é uma substância rica em açúcares secretada por certas plantas. Frequentemente observamos beija-flores e abelhas explorando flores em busca desse alimento altamente energético. Ao ingerirem néctar, esses animais frequentemente “se sujam” com o pólen das flores e os transportam para outras, possibilitando assim a reprodução do vegetal. O que poucos sabem, é que não são só as flores que produzem néctar. Existem estruturas glandulares localizadas nos caules, pecíolos ou folhas que também secretam néctar: são os nectários extraflorais. Tais estruturas produzem um alimento abundante e altamente energético para as formigas. Podemos supor que as plantas, com nectários extraflorais, podem se livrar do ataque dos herbívoros (e.g. lagartas, gafanhotos), pois os mesmos são repelidos pelo comportamento agressivo das formigas. Estudos experimentais demonstraram que plantas, com nectários extraflorais e que possuem formigas, são menos atacadas em comparação com aquelas em que esses insetos foram excluídos. Como consequência, as plantas visitadas por formigas aumentaram a frutificação. Além das formigas, muitas aranhas podem ingerir néctar, e diversas espécies habitam plantas com nectários extraflorais. Portanto, as aranhas também podem ajudar plantas a gerarem mais frutos!

Vídeo de formigas ingerindo néctar https://youtu.be/f2i0tRKy3HI

REFERÊNCIAS: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0367253010000472?casa_token=e0LR8esz0PMAAAAA:EA3Fr-YdiwUPNULY8olBO7fedU3GIxLn8Cb-qPkINjUFHnQbRU6OkLwE4NAezVH39rLROgl9ZV3b

https://www.researchgate.net/…/309169776_Wandering_and…

https://www.researchgate.net/…/227667780_Jumping…

https://link.springer.com/cha…/10.1007/978-3-319-65717-2_8

A FOTOGRAFIA DE UM ÁTOMO

Imagem de um único átomo de estrôncio com carga positiva obtida em uma câmara de vácuo, conhecida como armadilha de íons.O átomo fica retido pelos campos magnéticos que emanam de duas agulhas de eletrodos. Quando iluminado por um laser da cor azul-violeta, o átomo absorve e reemite partículas de luz que pode ser capturada pela longa exposição de uma câmera fotográfica.Na realidade, o pálido ponto no centro das fotos não é o contorno exato do átomo, mas o reflexo da luz que incide sobre ele.

ACESSE A IMAGEM EM ALTA RESOLUÇÃO NO LINK https://www.nqit.ox.ac.uk/…/nqit-quantum-photography06.jpg

A REVOLUÇÃO DE GALILEU E A RESISTÊNCIA À CIÊNCIA

O telescópio foi inventado na Holanda no início do século XVII. Foi Galileu Galilei, em 1609, quem fez o primeiro uso científico desse instrumento, apontando-o para o céu.Galileu aperfeiçou o telescópio, obtendo um aumento de 8 a 30 vezes. Isso permitiu uma série de observações que incluem:- crateras da Lua- fases de Vênus- luas de Júpiter- anéis de Saturno- manchas solares- estrelas na Via LácteaMuitas dessas observações, como a existência das fases de Vênus e luas girando ao redor de Júpiter, foram essenciais para comprovar o modelo heliocêntrico de Copérnico*. As fases de Vênus só poderiam ser explicadas considerando que Vênus orbitava ao redor do Sol, não da Terra. A existência de satélites girando ao redor de Júpiter derrubava definitivamente a ideia que todos os astros orbitavam ao redor da Terra. As decobertas de Galileu refutaram a teoria Geocêntrica*. A Terra não é o centro do universo! Porém, os dogmas da igreja não aceitaram os fatos apresentados por Galileu e por pouco o cientista não foi queimado na fogueira. Após 350 anos a igreja reconheceu o seu erro. Ao longo desse tempo o telescópio de Galileu se aperfeiçoou e a ciência aprofundou o nosso conhecimento da Terra e do Universo. Infelizmente, ainda hoje o conhecimento científico gerado e até mesmo fatos continuam sendo rejeitados por alguns. Mas o mundo muda! Há 200 anos, a Inquisição matava homens na fogueira, há 150 anos os negros eram escravizados, há 80 anos muitas mulheres não votavam, há 40 anos a varíola matava. A humanidade avança e a ciência impulsiona a evolução da humanidade!

————————————————

* Aristarco propôs o modelo heliocêntrico (Sol no centro do universo) há mais de 2.200 anos, o qual foi abandonado. Ao longo de muitos séculos o sistema geocêntrico (Terra no centro do universo) foi aceito. No século XVI, Nicolau Copérnico retomou a ideia de Aristarco, desenvolvendo e publicando um modelo matemático consistente e completo do sistema heliocêntrico.

BUG, BUGOU, BUGADO! DE ONDE VÊM ESSAS PALAVRAS?

Em inglês a palavra “bug” se refere a insetos ou invertebrados similares. Porém, no mundo inteiro “bug” se refere a um defeito, falha ou erro que provoca o mau funcionamento de um computador.O termo “bug” para descrever defeitos antecede os computadores e faz parte do jargão da engenharia desde o século XIX. Em 1947 os operadores do grande computador Mark II localizaram um erro em um dispositivo (relé). A causa era uma mariposa presa em tal dispositivo. Os operadores estavam familiarizados com o termo de engenharia e o inseto foi colado no livro de registro do computador como sendo “O primeiro caso real de um bug encontrado”. A notória programadora do Mark II, Grace Hopper, adorava contar a história e popularizou o termo.Na figura, a foto do livro de registro com a mariposa encontrada, depositado no Smithsonian Museu Americano de História Natural.

A “CURA” DE UM PSICOPATA!

O neurocientista James Fallon é casado, pai de três filhos e professor da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Na tarde de outubro de 2005, Fallon estava examinando algumas imagens de PET, que mostravam padrões da atividade cerebral (VER https://www.facebook.com/entendamaisciencia/posts/158194668895591 )

Ele observava várias imagens de cérebros incluindo os de esquizofrênicos, depressivos, assassinos e os de pessoas sem tais condições. Por acaso, ele também estava fazendo um estudo sobre a doença de Alzheimer e tinha em sua mesa exames cerebrais de toda a sua família. Foi quando se deparou com a imagem de um cérebro que mostrava baixa atividade em certas áreas dos lobos frontais (VER FIGURA), condição ligada à falta de empatia, moralidade e autocontrole, típica da psicopatia. Sabendo que aquela imagem pertencia a um membro de sua família, Fallon foi averiguar se havia algum erro na máquina PET de seu laboratório. Porém, o aparelho estava funcionando perfeitamente! Ao buscar de quem seria tal imagem cerebral foi surpreendido por uma revelação perturbadora: o cérebro psicopático da imagem era o dele!

Fallon passou a buscar outros indicativos. Descobriu que a sua linhagem familiar incluía vários supostos assassinos, incluindo a famosa Lizzie Borden, acusada de matar seu pai e madrasta a machadadas. Obteve alta pontuação em um teste utilizado para avaliar tendências antissociais e psicopáticas. Exames do seu DNA mostraram que ele tinha baixa atividade do gene MAO-A (localizado no cromossomo sexual X). Tal gene é importante modulador de neurotransmissores e a sua baixa atividade está associada a ausência de empatia, comportamento agressivo e violento.

Mas como uma pessoa com gene e cérebro de psicopata se tornou um importante cientista, estável e não violento? James Fallon admite traços de psicopatia (narcisismo, egoísmo, tendência à agressividade), mas faz caridades e ao ver um bebê pode ficar com os olhos cheios de lágrimas.

“Eu fui amado e recebi muita atenção de meus pais. Tive uma infância encantada e nunca fui abusado. Ninguém fez nada de ruim o suficiente para me transformar em um assassino. Tudo isso me protegeu!”, diz Fallon.

É inegável que a nossa carga genética nos predispõe a uma série de posturas e comportamentos. Somos resultado da interação de nossos genes e do meio em que vivemos. James Fallon é a prova viva de que é possível mudar até mesmo o destino de um psicopata. Então, com a educação e afeto, talvez não seja muito difícil darmos um rumo promissor para o mundo!

(Na foto, o neurocientista James Fallon e a sua mãe Jenny)

REFERÊNCIAS:

https://www.smithsonianmag.com/science-nature/the-neuroscientist-who-discovered-he-was-a-psychopath-180947814/?fbclid=IwAR1hmXraFxszlOiAwp7T3KTS7wNUpc1UlM2hcI6xN7hWOUawUaV31RLhoGE

http://www.psychiatry.uci.edu/…/fallon-feature-11152013…

https://www.med.wisc.edu/news-and-events/2011/november/psychopaths-brains-differences-structure-function/?fbclid=IwAR3vb4dCNqcEaC6LuT-CzAwgbleFa8Z2ZiME2EaN5m4ySWPLOHPptG_8goo

https://www.nature.com/articles/s41598-017-08351-w?fbclid=IwAR3QaT3xq96lAvONdziLBhF7g1GR6vN3_HfW9qG5Rc1RZYbCiSiqUZMjTIE