A DESCOBERTA DOS VÍRUS

A primeira observação de microorganismos foi feita em 1674 pelo cientista holandês Antonie van Leeuwenhoek , ao utilizar um microscópio que ele mesmo construiu.

Algumas formas microscópicas observadas por Leeuwenhoek.

Os menores organismos observados por Leeuwenhoek, foram as bactérias.

Desenhos originais de algumas bactérias observadas por Leeuwenhoek

As bactérias são muito maiores que os vírus, os quais não puderam ser observados na época e mesmo nos dois séculos seguintes, pelos microscópicos ópticos.

Comparação do tamanho de alguns vírus com uma bactéria e o glóbulo vermelho de nosso sangue.

Os vírus só podem ser visualizados em microscópios especiais, como os eletrônicos, que foram construídos em meados do século XX. No entanto, esses organismos foram descobertos quase meio século antes da existência do primeiro microscópio eletrônico.

ENTÃO COMO OS VÍRUS FORAM DESCOBERTOS, SE NÃO PODIAM SER VISUALIZADOS?

Em 1879, o alemão Adolf Mayer iniciou estudos sobre uma doença que atingia as folhas do tabaco (“a doença do mosaico do tabaco”). O cientista inoculou em plantas saudáveis, a seiva de plantas doentes.

A doença estudada por Mayer foi chamada “doença do mosaico do tabaco” devido às manchas claras e escuras que aparecem em suas folhas.

Mayer constatou que a seiva de uma folha de tabaco doente transmitia a doença para uma planta saudável, mas ele não conseguiu localizar o agente que causava o dano, mesmo após um exame ao microscópio.

O botânico Dmitri Ivanovski pesquisou a doença do mosaico do tabaco em 1887, adotando uma abordagem diferente. Ele passou a seiva através de filtros de porcelana, com poros que impediam a passagem de bactérias. Mas mesmo assim, ao colocar a seiva filtrada em uma folha de tabaco saudável, ela adquiriu a doença. Ivanovski supôs que a doença era causada por uma toxina que passava pelo filtro ou talvez por alguma bactéria que havia escapado por uma rachadura.

Um terceiro cientista, Martinus Beijerinck, desempenhou papel chave para reconhecer o agente que causa a doença do tabaco. Beijerinck fez experimentos semelhantes ao de Ivanovsky, também mostrando que a seiva das plantas de tabaco doentes mantinham a capacidade de contágio após filtração. No entanto, ele estendeu seus estudos demonstrando que o agente da seiva, ao ser diluído, podia recuperar sua força. Isso não ocorria na seiva livre da planta, mas apenas nos seus tecidos vivos. Havia algo que dependia das células vivas para se replicar! Quando publicou seus estudos em 1898, Beijerinck chamou o agente infeccioso filtrado de contagium vivum fluidum – um fluído contagioso e vivo.  Posteriormente, a palavra “vírus” (do latim – fluído venenoso) foi adotada para se referir a esse novo tipo de patógeno.

Os experimentos desses três cientistas (Mayer, Ivanovsky e Beijerinck) contribuíram para a descoberta do vírus, um agente demasiado pequeno (para ser retido em filtros e invisível em microscópio óptico), mas capaz de causar doença ao se multiplicar em células vivas. Foi somente em 1933, após o surgimento do microscópio eletrônico, que foi publicada a primeira imagem do vírus do mosaico do tabaco.

Primeira fotografia obtida por microscópio eletrônico do vírus do mosaico do tabaco, extraída de um manuscrito publicado em 1933.

Hoje podemos, com auxílio de poderosos microscópios e várias outras técnicas, não só observar os vírus, como reconstruir detalhes de sua estrutura espacial e molecular.

Imagem do vírus do mosaico do tabaco em microscópio eletrônico de última geração e o seu modelo estrutural.

Imagem do coronavírus (SARS-CoV-2) em microscópio eletrônico e o seu modelo estrutural.

Bibliografia:

https://www.smithsonianmag.com/science-nature/what-are-viruses-history-tobacco-mosaic-disease-180974480/

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