PODEMOS TER IMUNIDADE AO NOVO CORONAVÍRUS MESMO SEM TER TIDO COVID-19?

Uma pessoa que já foi infectada por um vírus ou tenha recebido vacina deve estar imunizada a uma nova contaminação. Isso porque o nosso sistema de defesa (sistema imunológico) aprendeu a reconhecer aquele determinado vírus.

De fato, estudo mostrou que pacientes que apresentaram Covid-19 tiveram uma forte resposta imunológica quando expostos a fragmentos do novo coronavírus (SARS-Cov-2). Isso foi constatado pela presença de células de defesa no sangue, os linfócitos T que têm como alvo o novo cor. Dois tipos de linfócitos T foram avaliados: os linfócitos T-CD4, que liberam sinais que ativam outros componentes do sistema imunológico, e os linfócitos T-CD8, que eliminam as células infectadas por vírus. Mas pessoas que não tiveram contato com o SARS-Cov-2 podem apresentar tais células de defesa?

Foram estudados 20 pacientes que haviam se recuperado da Covid-19 e outras 20 amostras de sangue de doadores coletadas entre 2015–2018 (portanto antes da origem da pandemia). Amostras de sangue foram colocadas em contato com fragmentos de coronavírus. Aproximadamente 70% dos pacientes recuperados apresentavam linfócitos T-CD8 e 100% tinham os linfócitos T-CD4. O surpreendente foi que, nas amostras de sangue coletadas antes da pandemia, 20% possuía linfócitos T-CD8 e metade apresentava linfócitos T-CD4. Porém, todas essas amostras  testaram positivo para anticorpos que se ligam a outros coronavírus que causam resfriados comuns, mostrando que os doadores haviam sido previamente infectados por esses vírus.

Assim, pessoas que nunca foram expostas ao SARS-Cov-2 também apresentaram linfócitos T (CD4 e CD8) que podiam reconhecê-lo. O estudo sugere que as infecções anteriores por outros coronavírus, que causam resfriados comuns, podem fornecer algum nível de proteção contra o SARS-Cov-2, impedindo assim as pessoas de desenvolverem doenças graves.

Se tais pessoas, que tiveram contato com outros coronavírus, de fato adquirem alguma imunidade, isso explicaria porque elas não desenvolvem a doença, mesmo tendo íntimo contato com infectados.

REFERÊNCIA:

Grifoni et al., 2020, Cell 181, 1–13. https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(20)30610-3#sec4

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